Hospital Municipal da Brasilândia alcança 17 captações de órgãos em 2 anos

Unidade integra comissão que auxilia na notificação e captação, contribuindo para salvar vidas por meio do SUS

Procedimento de captação de órgãos realizado no centro cirúrgico do HMB, com equipe da OPOS, utilizando a estrutura da unidade para viabilizar a doação pelo SUS

Profissionais do HMB atuam em conjunto com as OPOs durante o processo de captação, garantindo segurança, ética e respeito em cada etapa do procedimento (Foto: Maria Eduarda Oliveira / IMED).


O Hospital Municipal da Brasilândia (HMB) – Adib Jatene, unidade da Prefeitura de São Paulo administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), alcançou a marca de 17 captações de órgãos realizadas desde dezembro de 2023, reafirmando seu compromisso com a vida e com as políticas públicas de transplantes no Brasil.

Na unidade, o trabalho é conduzido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), formada por uma equipe multiprofissional responsável por organizar rotinas, protocolos e fluxos que viabilizam todo o processo de doação.  

“É extremamente gratificante ver famílias que entendem a necessidade da doação de órgãos, cuja demanda é muito grande no Brasil. A comunicação do óbito é um momento doloroso, mas o consentimento dos familiares aquece o coração e recompensa todo o nosso trabalho”, destaca Luciana Bonilha, vice-presidente da CIHDOTT no HMB.

O processo de doação tem início com a abertura do protocolo de morte encefálica, quando a equipe multiprofissional identifica os primeiros sinais e realiza exames clínicos e neurológicos específicos, conforme critérios médicos e legais. Após a confirmação do diagnóstico por exames clínicos positivos, o hospital aciona a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO), responsável por conduzir as etapas de avaliação e captação.

“A partir do momento em que os exames confirmam a morte encefálica, entramos em contato com a OPO, que nos orienta sobre todas as solicitações necessárias. Há uma troca constante de informações, como resultados de exames e o desfecho do protocolo, até a finalização com os exames de imagem”, explica Luciana.

Após essa confirmação, a equipe de captação, composta por profissionais especializados da OPO realiza o procedimento no centro cirúrgico do hospital, com toda a estrutura necessária para garantir segurança, respeito e agilidade no processo.

Desde o início das captações no HMB, já foram doados 15 fígados, 24 rins, 22 córneas e um coração, destinados a pacientes da Lista Única Nacional de Transplantes, sob coordenação do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

O trabalho desenvolvido pela unidade também recebeu reconhecimento estadual durante o 4º Encontro das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, promovido pela Central Estadual de Transplantes de São Paulo, em 2025. O reconhecimento se deu em razão do comprometimento e dos resultados obtidos nos processos de notificação e captação do hospital.

“Captar órgãos é algo que exige uma complexidade significativa. Além de identificar o possível doador, lidamos com um momento extremamente delicado para a família. Por isso, é necessário preparo para acolher, dialogar e organizar toda a estrutura hospitalar para que o processo aconteça de forma segura e respeitosa”, ressalta Dr. Thiago Amorim, diretor técnico do HMB.

Embora a confirmação da morte encefálica seja feita por médicos, seguindo critérios rigorosos, a decisão final sobre a doação é sempre da família. Por isso, manifestar em vida o desejo de ser doador e compartilhar essa vontade com pessoas próximas é fundamental para facilitar o processo.

“Estamos aqui para cuidar das pessoas, mas em alguns momentos as possibilidades de salvar aquela vida se esgotam. Ainda assim, essa pessoa pode abrir a possibilidade de salvar muitas outras. Poder ser o elo entre quem está encerrando um ciclo e quem precisa daquele órgão é algo que nos traz muita gratidão”, afirma Getro Pádua, diretor geral do hospital.

Um único “sim” pode beneficiar até oito vidas. Doar órgãos vai além de um procedimento médico, é um gesto de amor, solidariedade e compromisso com a vida.

“Conversar previamente com a família sobre o desejo de ser doador é essencial. Em um momento de extrema fragilidade, saber qual era a vontade daquele ente querido torna a decisão menos dolorosa e facilita a comunicação”, reforça Getro.

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