Paula Belmonte cobra ação urgente contra proliferação de aguapés no Lago Paranoá
Deputada exigiu posicionamentos da SEMA, CAESB e IBRAM pedindo fiscalização, remoção controlada da vegetação aquática do Lago Paranoá
A proliferação descontrolada de plantas aquáticas na Região Sul do Lago Paranoá acendeu um alerta na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) cobrou explicações por meio de ofícios à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/DF), à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB/DF) e ao Instituto Brasília Ambiental (IBRAM/DF). Os documentos, enviados em 26 de maio, cobram providências imediatas para a contenção e a remoção da vegetação que vem se espalhando pelo lago.
Nos ofícios, Paula Belmonte destaca que o avanço excessivo dessas plantas tem gerado preocupação entre moradores, frequentadores e esportistas que utilizam o Lago Paranoá para lazer e atividades náuticas. A parlamentar afirma ter recebido diversas demandas da população após reportagem exibida pelo DF1, da TV Globo, que mostrou grandes áreas do espelho d’água tomadas por vegetação flutuante, formando extensos tapetes verdes em pontos turísticos da capital.
O cenário mais crítico foi identificado nas proximidades do Parque Engenheiro Cláudio Sant'Anna (Deck Sul), da Ponte das Garças e da foz do Riacho Fundo. A presença das plantas afeta atividades de lazer, esportes náuticos e o turismo na região. A preocupação aumentou ainda mais diante da realização do Campeonato de Pesca do Distrito Federal, na Orla da Concha Acústica, o que intensificou os pedidos por uma rápida limpeza do lago.
A espécie responsável por cobrir parte do espelho d’água é a Pistia stratiotes, conhecida popularmente como alface-d’água. Embora essas plantas tenham capacidade natural de absorver poluentes e compostos químicos, sua proliferação em larga escala é considerada um forte indicativo de desequilíbrio ambiental. A presença excessiva da vegetação aponta para uma sobrecarga de nutrientes na água, que funciona como fertilizante para a espécie.
Esse processo de degradação ambiental, conhecido como eutrofização, costuma ser provocado pelo despejo irregular de esgoto, resíduos orgânicos e outros poluentes em rios e córregos que deságuam no Lago Paranoá. A área afetada fica próxima à Estação de Tratamento de Esgoto Sul (ETE Sul), responsável por receber e tratar resíduos sanitários de diversas regiões administrativas do Distrito Federal.
Cobrança por fiscalização
Os ofícios protocolados cobram o envio de laudos técnicos sobre a qualidade da água produzidos nos últimos 24 meses, com informações específicas sobre níveis de nitrogênio, fósforo, oxigênio dissolvido, coliformes fecais e metais pesados. A deputada também questiona se existem registros de falhas operacionais, sobrecarga ou redução de eficiência na ETE Sul, além de cobrar ações de fiscalização contra descartes irregulares nos afluentes do lago.
Outro ponto levantado nos documentos diz respeito à existência de infraestrutura adequada para a remoção controlada da biomassa. O gabinete parlamentar pediu informações sobre a utilização de embarcações, maquinários ou sistemas específicos voltados ao corte e recolhimento da vegetação aquática, fazendo referência ao antigo “Papaguapé”, equipamento utilizado no passado para limpeza do Lago Paranoá.
O requerimento parlamentar ressalta que a retirada integral da espécie não é recomendada por especialistas, já que as plantas também servem de abrigo e alimento para pequenos organismos aquáticos. Ainda assim, o controle rigoroso é considerado necessário para garantir a segurança sanitária e a navegabilidade no lago.
Por fim, Paula Belmonte solicita que a SEMA, a CAESB e o IBRAM informem se há um plano integrado de recuperação ambiental para o Braço Sul do Lago Paranoá. A deputada também colocou o gabinete à disposição para acompanhar as providências adotadas e afirmou que o tema possui relevante interesse público, ambiental e sanitário para o Distrito Federal.
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