Crédito Imobiliário Versus Produto Interno Bruto

 Embora excludente da chamada economia informal, o Produto Interno Bruto ou PIB é o principal indicador econômico usado para medir a atividade produtiva interna de um país ou de uma região específica. Ele quantifica, em valor monetário, a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado intervalo de tempo (ano, semestre, trimestre). No ano de 2025, o PIB brasileiro foi de R$ 12,7 trilhões, o que representa uma produção per capita de R$ 59.687,49; expansão de 2,3% em relação a 2024.



O Boletim Focus - Banco Central - do mês de agosto passado reduziu a previsão de crescimento do PIB deste ano de 2,3% para 1,95%, o que indica desaceleração econômica. Contudo a comparação com o PIB continua sendo a melhor forma de mensurar o crescimento de determinado segmento econômico. No Brasil, embora não haja medição confiável, estima- se que quase 50% das vendas de imóveis residenciais dependem de financiamento imobiliário.


Daí a importância de saber sua relação com o PIB. Em 2009, o crédito imobiliário brasileiro representava 7,5% do PIB; no ano 2015, elevou-se para 9,0%; em 2025, impulsionado pelo programa MCMV, chegou a 10%. Hoje, 2026, atingimos 11% do PIB. Assim, ainda que tímida, se comparada com outros países, nos últimos 15 anos, nossa expansão creditícia tem sido significativa. Esse avanço demonstra não apenas o fortalecimento do setor financeiro no segmento, mas também uma crescente confiança das famílias e investidores no mercado de imóveis nacional.


No entanto o contraste entre o nosso percentual e os internacionais é revelador. Em países como EUA e Canadá, o crédito imobiliário supera 70% do PIB; na França, Holanda e Inglaterra varia entre 50% e 80%, mostrando mercados evoluídos. Na América Latina, o Brasil lidera pareado com o México. A boa notícia é que ainda temos muito espaço para crescimento. O Brasil encontra-se em processo de transição evolutiva que promete ampliar sua relevância global, considerando a resiliência e o desempenho do setor.


O aumento do crédito imobiliário em comparação com o PIB é bom indicador de maturidade econômica, que provoca ciclos de crescimento robustos e menos dependentes de fatores externos. Essa expansão amplia a demanda por imóveis de todos os segmentos, desde os voltados ao programa MCMV até os das classes média e alta. Ela se configura, portanto, em vetor estratégico para o desenvolvimento sustentável do país, que gera empregos e movimenta a produção de insumos e serviços para a construção civil.


O potencial de ampliação do financiamento de imóveis no Brasil sustenta-se no crescimento demográfico, no persistente déficit habitacional, na imigração, na reconfiguração familiar, no êxodo rural e na evolução tecnológica, que tornou a concessão de financiamentos mais ágil e transparente, incluindo famílias antes à margem do sistema. Assim, em menos de dez anos, poderemos dobrar nossa capacidade de financiar imóveis. Tudo o que precisamos é de boa vontade política e estabilidade macroeconômica!


João Teodoro da Silva


Presidente – Sistema Cofeci-Creci 


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