Frigideira e azeite fervendo esperam o marketing da campanha de Flávio Bolsonaro

Fábio Portela, coordenador de imprensa de Flávio Bolsonaro, comanda uma comunicação que ainda não encontrou a própria voz.
A comunicação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro passou a enfrentar críticas públicas de integrantes da ala mais radical do bolsonarismo, ligada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O grupo demonstra insatisfação com a estratégia conduzida pelo publicitário Eduardo Fischer e pelo jornalista Alexandre Oltramari, profissionais escolhidos pelo senador Rogério Marinho para comandar a comunicação eleitoral.
Quarenta dias após assumir a chefia de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Fábio Portela enfrenta um cenário de forte desgaste interno. O diagnóstico do monitoramento digital do período aponta predominância de avaliações negativas, concentradas menos na figura do assessor e mais na percepção de deficiência na condução estratégica da comunicação.
As críticas recorrentes apontam ausência de uma narrativa consistente, demora na ocupação dos espaços de mídia e dificuldade para transformar agendas relevantes em dividendos políticos. Em política, oportunidade desperdiçada costuma beneficiar o adversário. O episódio da audiência do USTR, em Washington, transformou-se no símbolo desse diagnóstico. Para críticos da atuação da equipe, a oportunidade de projetar a candidatura foi desperdiçada pela ausência de entrevistas, de uma coletiva de imprensa e da divulgação da íntegra do discurso.
Outro fator chama a atenção. O desgaste não é impulsionado, predominantemente, por adversários políticos. Ele nasce dentro da própria base bolsonarista, onde influenciadores e militantes passaram a cobrar publicamente mudanças na condução da comunicação. Quando o fogo amigo substitui os ataques da oposição, a crise deixa de ser apenas de imagem. Passa a ser um problema de comando, confiança e sobrevivência política.
Os indicadores analisados sugerem que a principal cobrança sobre Fábio Portela não está relacionada ao posicionamento político da campanha, mas à sua capacidade de transformar fatos políticos em comunicação eficiente. A crítica recorrente é que a campanha produz acontecimentos, mas não consegue convertê-los em narrativa capaz de ocupar o debate público.
Com o calendário eleitoral avançando rapidamente, o tempo deixou de ser aliado. Na política, comunicação ineficiente cobra juros altos. A expectativa, agora, é menos por explicações e mais por resultados concretos que demonstrem mudança de método, capacidade de reação e eficiência. Porque, quando a própria militância passa a cobrar mudanças em praça pública, a frigideira já está no fogo e o azeite começou a ferver.





