Dermatologistas alertam para a importância da prevenção, do
diagnóstico precoce e do acesso ao médico dermatologista. Acne, psoríase e
câncer de pele lideram os diagnósticos no Brasil
Quase 5 bilhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo
de doença de pele. O dado, publicado pela revista científica The Lancet,
revela a dimensão de um problema de saúde pública que vai muito além da
estética. Maior órgão do corpo humano, a pele funciona como uma barreira
natural de proteção e, muitas vezes, é a primeira a dar sinais de que algo não
vai bem no organismo, indicando infecções, processos inflamatórios, doenças
autoimunes e até diferentes tipos de câncer.
Diante desse cenário, o Dia Mundial da Saúde da Pele,
celebrado em 8 de julho, chama a atenção para a importância da prevenção, do
diagnóstico precoce e do acesso ao médico dermatologista.
O presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia –
Regional Goiás (SBD-GO), Samir Pereira, alerta que manchas que surgem sem
explicação, feridas que não cicatrizam, coceiras persistentes, lesões que
sangram, alterações em pintas e outras mudanças na pele não devem ser
ignoradas. Além de proteger o organismo, a pele pode revelar precocemente
doenças que, quando identificadas a tempo, apresentam maiores chances de
tratamento e controle.
Incapacidade
As doenças dermatológicas afetam entre 4,7 e 4,9 bilhões de
pessoas em todo o mundo e figuram entre as principais causas globais de
incapacidade. Além do impacto físico, comprometem a saúde mental, a autoestima,
a produtividade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. Apesar dessa
realidade, estima-se que menos da metade da população mundial afetada tenha
acesso adequado ao atendimento dermatológico.
Segundo a Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas
(ILDS), organizadora do Dia Mundial da Saúde da Pele, existem entre 2 mil e 3
mil doenças cutâneas distintas, incluindo infecções, doenças inflamatórias
crônicas, doenças autoimunes, doenças tropicais negligenciadas e diferentes
tipos de câncer de pele.
Internet
Ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento
especializado e às ações de educação em saúde ainda é um desafio quando se fala
em doenças de pele. No Brasil, outro desafio preocupa os especialistas: a busca
por informações sobre cuidados com a pele tem crescido, mas nem sempre
acompanhada de orientação médica. Pesquisa Datafolha realizada para a Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD) mostra que 54% dos brasileiros procuram
informações sobre cuidados com a pele, produtos, procedimentos e profissionais
e muitos têm como fonte a internet.
Cerca de 19% das pessoas que se interessam pelos cuidados
com a pele recorrem a plataformas digitais e criadores de conteúdo, enquanto 9%
utilizam o YouTube. Em contrapartida, apenas 14% afirmam procurar um médico
presencialmente para esclarecer dúvidas e 13% recorrem a sites de busca e
páginas médicas.
O levantamento também identificou um dado preocupante entre
os jovens. A acne, principal motivo de consulta dermatológica no Brasil, ainda
é negligenciada por grande parte dessa população. Segundo a pesquisa, 70% dos
brasileiros entre 16 e 24 anos que apresentam acne nunca procuraram um médico
dermatologista.
Acne é a principal
doença de pele no Brasil
O Inquérito Epidemiológico/Dermatológico da Sociedade
Brasileira de Dermatologia, estudo nacional que reúne os principais
diagnósticos realizados por dermatologistas em serviços públicos e privados,
mostra que a acne permanece como a doença de pele mais frequente no país,
respondendo por 9,5% dos diagnósticos.
Em seguida aparecem a psoríase (7,1%), o câncer de pele
(6,1%), a dermatite atópica (5,6%), o melasma (4,4%), as micoses superficiais
(4,2%), a dermatite de contato (3,7%), a rosácea (3,4%), a urticária (2,7%) e o
vitiligo (1,8%).
Entre essas doenças, o câncer de pele merece atenção
especial. Embora represente pouco mais de 6% dos diagnósticos dermatológicos, é
o tipo de câncer mais frequente no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde,
corresponde a aproximadamente 30% de todos os tumores malignos registrados no
país. A boa notícia é que, quando identificado precocemente, especialmente nos
casos de câncer de pele não melanoma, apresenta elevadas taxas de cura.
Samir Pereira esclarece que a prevenção continua sendo a
melhor estratégia. Além da proteção contra a radiação solar, é fundamental
observar alterações na pele e procurar avaliação médica diante de sinais
persistentes ou suspeitos. “O diagnóstico precoce continua sendo um dos
principais aliados para reduzir complicações e aumentar as chances de sucesso
no tratamento”, diz.






