Visão embaçada, imagens distorcidas, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e aumento frequente do grau dos óculos são alguns dos principais sinais do ceratocone, doença ocular que provoca deformação progressiva da córnea e pode comprometer significativamente a qualidade da visão quando não diagnosticada e acompanhada precocemente.
O alerta é do oftalmologista Clausmir Zaneti Jacomini, da equipe do Instituto Panamericano da Visão (IPVisão), que aproveita a campanha Junho Violeta, voltada à conscientização sobre a doença, para chamar a atenção da sociedade para esse problema que afeta cerca de 150 mil brasileiros por ano.
Segundo o especialista, o ceratocone ocorre quando a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, torna-se mais fina e passa a apresentar um formato irregular, semelhante a um cone.
“O ceratocone altera o formato da córnea e pode comprometer a qualidade visual quando não é acompanhado corretamente. A pessoa pode perceber visão embaçada, imagens distorcidas, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e aumento frequente do grau dos óculos”, explica.
A doença costuma surgir na adolescência e em adultos jovens. Entre os sinais que merecem atenção estão as mudanças frequentes na visão, a necessidade constante de trocar o grau dos óculos e a persistência da visão embaçada mesmo com correção visual adequada. Pessoas com histórico familiar da doença também devem ficar atentas.
O médico destaca que o diagnóstico precoce é um dos principais aliados para evitar a progressão do quadro e preservar a visão.
“Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as possibilidades de controlar a doença e preservar a qualidade da visão”, afirma.
O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e pode incluir o uso de óculos, lentes de contato especiais ou procedimentos destinados a estabilizar a córnea e impedir a evolução do problema.
Embora tenha predisposição genética, o ceratocone também está associado a fatores comportamentais. Um deles é o hábito frequente de coçar ou esfregar os olhos, especialmente entre pessoas com alergias, rinite ou coceira ocular recorrente, o que pode contribuir para o agravamento das alterações na córnea.
Por isso, especialistas recomendam procurar avaliação oftalmológica diante de qualquer mudança persistente na qualidade da visão, o que permite o diagnóstico e o acompanhamento adequados desde as fases iniciais da doença.






