Neurocirurgião explica que as consequências do AVC podem incluir alterações cognitivas, mudanças de comportamento, ansiedade, depressão e dificuldades na regulação das emoções
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade no mundo e costuma ser associado a sequelas físicas, como dificuldade para falar, caminhar ou movimentar partes do corpo. No entanto, os impactos da doença vão muito além das limitações motoras e podem afetar diretamente o funcionamento do cérebro e a saúde emocional dos pacientes.
Segundo o neurocirurgião Dr. Victor Hugo Espíndola, as sequelas variam de acordo com a região cerebral atingida. “O AVC pode comprometer funções importantes do cérebro, como memória, atenção, linguagem, raciocínio e capacidade de planejamento. Dependendo da área afetada, o paciente pode apresentar dificuldades que interferem diretamente na rotina e na qualidade de vida”, explica.
Além dos aspectos cognitivos, as mudanças emocionais também são comuns durante a recuperação. “Muitas pessoas acreditam que o AVC afeta apenas os movimentos, mas as alterações emocionais podem ser tão importantes quanto as físicas. É comum observarmos pacientes mais irritados, ansiosos, apáticos ou com dificuldade para controlar as próprias emoções após o evento”, afirma.
O especialista destaca que o impacto psicológico da doença também deve ser considerado durante o tratamento. “O paciente precisa lidar com uma mudança brusca na vida, muitas vezes perdendo temporariamente a autonomia para realizar atividades simples. Esse processo pode gerar sofrimento emocional e favorecer o surgimento de quadros de ansiedade e depressão”, ressalta.
Por isso, o acompanhamento deve ir além da recuperação física. “A reabilitação após um AVC precisa ser abrangente. Além dos cuidados neurológicos, é fundamental avaliar a saúde mental e oferecer suporte emocional ao paciente e à família. Quanto mais cedo essas questões forem identificadas e tratadas, melhores tendem a ser os resultados da recuperação”, destaca o Dr. Victor Hugo Espíndola.
O neurocirurgião reforça ainda que o apoio familiar desempenha papel essencial nesse processo. “A família costuma ser a primeira a perceber mudanças de comportamento e pode contribuir de forma decisiva para a adesão ao tratamento. O acolhimento e a compreensão fazem diferença na recuperação e ajudam o paciente a enfrentar os desafios impostos pela doença”, conclui.





