Agincêndio alerta para medidas de prevenção para clubes, escolas e foliões
Incêndios em galpões de escolas de samba, em carros alegóricos, em trios elétricos e salões de baile ocorrem com frequência durante o Carnaval. A maioria das fantasias - dos foliões e dos espaços – é feita com papel, cola, plástico, isopor e tecidos sintéticos. Esses materiais são leves, o que é bom para quem vai brincar, mas também muito inflamáveis, o que aumenta o risco do fogo se alastrar.
“Nesses dias que antecedem ao Carnaval sabemos que a produção vira noite trabalhando. Tem que decorar salão, avenida, fazer fantasia. Faz parte, mas é preciso ter um olhar para a prevenção dos incêndios. A precarização dos ambientes de trabalho e a falta de conhecimento técnico aumenta o risco de tragédias.” O alerta é do consultor de segurança e presidente da Associação Goiana das Empresas de Equipamentos contra Incêndio (Agincêndio), Adilson Medeiros Rocha. Ele, que denunciou a fragilidade do atual sistema de selos de conformidade para extintores, enfatiza que vistorias prévias nos espaços e a manutenção em dia dos equipamentos de combate ao fogo são essenciais para os dias de folia.
Memória quente
Quem trabalha no Carnaval e na prevenção a incêndios usa a história como alerta. Eles não deixam esquecer a cena de um palácio russo e matilhas de huskies siberianos lambidos por chamas em plena avenida durante o desfile da Viradouro, em 1992. Também guardam a lembrança da escultura do abre-alas da Unidos da Tijuca que pegou fogo durante o desfile das campeãs, em 2007, provando que o risco sempre está presente.
Na Portela, em 2005, um dos carros que seriam acoplados ao abre-alas pegou fogo em um barracão vizinho, destruindo a estrutura. Na concentração, a solda das ferragens quase provoca outro incêndio, controlado rapidamente pelos funcionários.
Em 2011, um incêndio iniciado no barracão da Grande Rio causou prejuízos também à União da Ilha e à Portela, que não disputaram o campeonato daquele ano, embora tenham conseguido desfilar.
Depois dos acidentes ocorridos durante o desfile de 2017 com as estruturas de carros – o atropelamento e posterior morte de uma jornalista por alegoria do Tuiuti e desabamento de outra da Tijuca – houve promessas de regras mais rígidas nos desfiles. “E o que se faz no Carnaval carioca serve de modelo para as outras cidades, por isso esses exemplos importam e nós trazemos essas imagens para reforçar o apelo para a prevenção”, explica Medeiros.
Certificação problemática
Para o presidente da Associação a melhor prevenção é a vistoria técnica, que é feita por especialistas. Eles verificam mangueiras, hidrantes, extintores, além de ensinar e certificar civis para brigadas de incêndio em clubes, prédios, escolas e empresas. “Esse trabalho é fundamental para garantir que tudo esteja pronto para funcionar em caso de fogo, e neste ano chamo atenção especial para a verificação dos extintores. Como o selo mudou, o rastreamento está difícil e as normas confusas tenha certeza de que os cilindros passaram por revisão em empresa confiável e certificada”, sugere Medeiros.
O problema da certificação vem desde o primeiro semestre do ano passado, quando os selos do Inmetro passaram a ser fabricados pela Casa da Moeda em parceria com uma empresa suiça que detém monopólio da tinta, a Sicpa.
Esses selos — também obrigatórios em cilindros de GNV e capacetes — fazem parte do projeto “Inmetro na Palma da Mão”, criado com o objetivo de facilitar a verificação da autenticidade dos produtos. Na prática, porém, o sistema vem apresentando falhas significativas.
Empresários relatam que os números e sequências gravados nos selos são praticamente invisíveis, o que inviabiliza a rastreabilidade e compromete a segurança dos usuários. Além disso, pedidos de novos selos estão paralisados no Inmetro justamente devido à baixa confiabilidade do processo. Em Goiânia, empresas de recarga de gás já relatam falta do material.






