Durante anos, os benefícios corporativos foram tratados como um pacote padrão: iguais para todos, renovados automaticamente e pouco conectados à realidade dos colaboradores. Esse modelo já não acompanha as transformações do mundo do trabalho nem responde às novas expectativas dos profissionais. Em 2026, insistir em benefícios pensados para o passado pode comprometer diretamente a capacidade das empresas de atrair e reter talentos.
“Os benefícios deixaram de ser um item operacional e passaram a ocupar um papel estratégico dentro das organizações. Hoje, eles influenciam desde a decisão de aceitar uma proposta de trabalho até o engajamento e a permanência do colaborador”, afirma Iolanda Marques, Head de Benefícios da Korsa Riscos & Seguros.
Com a mudança no perfil da força de trabalho, os Benefícios Corporativos passam a integrar de forma definitiva a estratégia das empresas, impactando indicadores como produtividade, clima organizacional, sustentabilidade de custos e marca empregadora. Ainda assim, muitas organizações seguem oferecendo pacotes pouco flexíveis, que não dialogam com o momento de vida dos colaboradores.
Do pacote padrão à estratégia de pessoas
O modelo “tamanho único” vem perdendo espaço para estruturas mais personalizadas, que reconhecem que as necessidades mudam ao longo da jornada profissional. Opções flexíveis de planos de saúde, apoio à saúde mental, incentivos ao bem-estar e benefícios voltados ao cuidado familiar ganham relevância. “A personalização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma expectativa básica dos profissionais”, destaca Iolanda.
Nesse contexto, o bem-estar assume protagonismo. A ampliação do cuidado com a saúde mental, aliada à flexibilidade no trabalho e a iniciativas de desenvolvimento profissional, reflete uma mudança cultural nas empresas. “Cuidar da saúde mental, oferecer flexibilidade e investir no crescimento das pessoas são hoje condições essenciais para reduzir o burnout e sustentar a produtividade”, avalia a executiva.
A agenda de benefícios também passa a incluir segurança financeira, sustentabilidade, propósito e tecnologia como parte da experiência do colaborador. Educação financeira, incentivos de longo prazo, programas de impacto social e plataformas digitais intuitivas ampliam a percepção de valor. “Benefício que não é fácil de entender ou usar acaba não sendo valorizado”, resume Iolanda.
Em 2026, os benefícios corporativos se consolidam como um pilar estratégico da gestão de pessoas. Mais humanos, flexíveis e conectados à realidade dos profissionais, eles deixam de ser apenas uma ferramenta de atração para se tornarem decisivos na construção de ambientes de trabalho sustentáveis e competitivos.
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