Durante o encontro, foram abordadas as principais formas
como a IA já está incorporada às rotinas diárias e discutidos os cuidados
necessários para garantir um uso ético, responsável e seguro dessas
ferramentas, especialmente no ambiente de trabalho.
Mais de 500 colaboradores da Federação e das Unimeds
federadas acompanharam a capacitação conduzida por João Gonçalves, advogado e
especialista em Direito Público, Gestão em Saúde e Negócios Digitais. Ele
explicou como a Inteligência Artificial influencia decisões que vão desde preferências
pessoais de entretenimento até mecanismos de prevenção a fraudes, sempre com
base na análise de métricas e padrões de comportamento.
Segundo João, a presença da IA é constante, embora muitas
vezes passe despercebida. “Nós usamos IA o tempo todo. Não é algo do futuro, é
um presente silencioso”, destacou.
Transformações no setor da saúde
Ao tratar das transformações no setor da saúde, o
palestrante relembrou como processos que antes eram totalmente manuais, como
solicitações de autorização de procedimentos e validação de elegibilidade,
exigiam a presença física do paciente em uma unidade. Hoje, grande parte dessas
etapas ocorre de forma automatizada, com o apoio de métricas eletrônicas,
auditorias digitais e ganhos expressivos de agilidade.
Até mesmo a função de recepção nas instituições de saúde mudou.
Ferramentas automatizadas, como os bots, assumiram tarefas de cadastro,
permitindo que os profissionais concentrem seus esforços em oferecer uma
experiência mais acolhedora ao paciente.
Apesar dos avanços, João reforçou que a Inteligência
Artificial não possui consciência, emoção ou intenção. “A IA existe para gerar
o que você pediu. Ela aprende com dados, que se transformam em padrões e
retornam respostas. Esse processo retroalimenta o sistema”, explicou.
Mas é seguro?
Quando o tema foi a segurança, o especialista foi enfático
ao afirmar que a tecnologia é segura, desde que utilizada de forma adequada. O
principal risco, segundo ele, está nos dados inseridos nas ferramentas. “É
preciso muito cuidado ao homologar sistemas de IA. Decisões automatizadas podem
excluir beneficiários, discriminar pacientes por fatores psicossociais, sociais
ou econômicos e gerar injustiças graves”, alertou.
Nesse contexto, João ressaltou que a Inteligência Artificial
não deve ser utilizada para decisões finais em saúde, que dados sensíveis não
podem ser inseridos nos comandos e que a tecnologia deve ser vista como uma
ferramenta de apoio, jamais como substituta do julgamento humano.
Para o especialista, o desafio do setor da saúde é fazer
mais com menos recursos, e a IA surge como uma aliada ao proporcionar escala e
velocidade. Ainda assim, não substitui o fator humano. “A Inteligência
Artificial deve ampliar a capacidade humana”, concluiu, reforçando que a
tecnologia só se torna um diferencial competitivo quando utilizada com ética.






