Ansiedade, depressão e pressão por resultados colocam bem-estar emocional no centro do debate nas empresas
A campanha Janeiro Branco ganha ainda mais relevância diante do cenário atual da saúde mental no Brasil, especialmente no ambiente de trabalho. Em 2025, o país registrou cerca de 440 mil afastamentos por ansiedade e depressão, segundo dados do Ministério da Previdência Social, o maior número da última década. O dado evidencia um avanço preocupante do adoecimento emocional entre trabalhadores.
Esse cenário se desenvolve em meio ao aumento do custo de vida, à instabilidade no mercado de trabalho e a um ritmo profissional que não desacelerou após a pandemia. A soma desses fatores contribui para um ambiente de pressão constante, com impactos diretos na saúde mental.
Para a psicóloga Denise Milk, o problema vai além do indivíduo e está ligado à forma como o trabalho é organizado. “Existe uma cultura que romantiza a exaustão e trata o cansaço emocional como sinal de comprometimento. Metas excessivas, jornadas prolongadas e cobrança contínua colocam o sistema nervoso em estado de alerta permanente”, afirma.
Ela ressalta que o sofrimento psíquico no trabalho costuma ser silencioso e progressivo. “Muitas pessoas não percebem quando ultrapassam seus próprios limites. A ansiedade e a depressão não surgem do dia para a noite, elas se constroem a partir de pequenas violências cotidianas, como falta de pausas, medo constante de errar e ausência de reconhecimento”, explica.
A psicóloga reforça que ambientes emocionalmente seguros favorecem não só o bem-estar, mas também o desempenho. “Quando o trabalhador se sente ouvido, respeitado e tem clareza de limites, a produtividade acontece de forma mais saudável. Cuidar da saúde mental é uma estratégia de longo prazo, não uma ação pontual”, pontua.
Dentro do contexto do Janeiro Branco, Denise Milk defende mudanças práticas e contínuas. “Promover saúde mental no trabalho passa por lideranças mais conscientes, comunicação transparente e autorização para o descanso. Pausa não é perda de tempo, é prevenção”, afirma.
Ela conclui lembrando que o impacto do trabalho na saúde emocional não pode ser naturalizado. “O trabalho não deveria adoecer. Quando quase meio milhão de pessoas se afastam por sofrimento psíquico, o problema não é individual, é estrutural”, finaliza.
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